Vovô bom de Luta

“Aos cinco anos de idade. Helvecio Penna sofria de asma e sua mãe o matriculou para fazer natação e judô. Sua preferência, no entanto, foi pelo tatame na academia Augusto Cordeiro, em Copacabana, bairro que mora até hoje. Competindo na categoria médio, chegou a ser tricampeão carioca e como na época não havia campeonato brasileiro, teve que se contentar com os títulos estaduais.

Helvecio seguia vencendo a maioria das competições que disputava e sua carreira parecia promissora. Mas aos 17 anos, com a morte de seu treinador abandonou o esporte por dez anos. Seu retorno aconteceu em 1988 defendendo o atual Sion. Ainda faixa marrom, Helvecio passou a ganhar, então, todos os campeonatos daquele ano na categoria médio. Logo depois, foi promovido a faixa preta.

– As coisa estavam indo muito bem novamente até que em 92 sofri uma ruptura total dos ligamentos e fiquei um ano afastado dos tatames. O meu segundo retorno ao judô aconteceu um ano depois e, de cara, fui campeão no peso médio da Copa rio Internacional – lembra Helvecio.

Em 96 resolveu emagrecer e perdeu dez quilos: baixou de 88 para 78. E mais um titulo: o de campeão carioca, dessa vez no meio-médio. No inicio desse ano, novamente com 88 quilos, decidiu aumentar de peso – mais cinco quilos – e passou a competir na categoria meio pesado.

– Isso não quer dizer que esteja gordo. Muito pelo contrario. Estou me sentindo muito bem e a prova disso, é que só perdi uma luta até agora. Foi no torneio de abertura quando ainda não estava bem preparado. De lá pra cá só acumulo vitórias, como o do titulo do Estadual por equipes, cuja equipe era o Sion.

Aos 36 anos, pode-se dizer que Helvecio Penna está em plena forma física e técnica. Até ganhou o apelido de vovó do Meeting, por ser o judoca mais velho em atividade na competição. Apesar da brincadeira, é respeitado e admirado por seus colegas e já mantém uma invencibilidade de oito lutas no campeonato.

– Hoje em dia estou totalmente equilibrado tanto no aspecto familiar quanto no espiritual. Aproveito todo tempo disponível para o treinamento. Além disso, meus objetivos mudaram. Antes, quando vencia uma competição, relaxava em seguida. Agora não tem mais acomodação e penso em ganhar a competição seguinte.

Mas o “vovô” não pensa em parar tão cedo. Um sonho, alimentado por sua força de vontade, impulsiona Helvecio até o ano 2000.

– Na seletiva olímpica estarei com 39 anos. Para muita gente pode parecer absurdo. Mas como disse o Nuno Cobra, a idade fisiológica do atleta não tem nada a ver com a idade cronológica. Vou suar o quimono. Com o apoio da minha esposa, Andréa e do meu filhinho, Luiz Augusto. – afirma.”

 

Revista Esporte por Esporte